Linhas e Falanges
Abstract
Linha e falange são termos usados para organizar/classificar campos de atuação, conjuntos de entidades e relações religiosas na Umbanda. Não existe uma taxonomia única compartilhada por todos os terreiros.
1. Por que estudar separadamente
Falar apenas “Caboclo é uma linha” ou “entidade X pertence à falange Y” pode ocultar que diferentes escolas usam os mesmos termos de maneiras distintas.
O projeto estudará primeiro os conceitos e depois os modelos particulares.
2. Linha
Em sentido geral, linha pode designar uma categoria ampla de trabalho ou organização espiritual.
Dependendo da tradição, uma linha pode ser definida por:
- Orixá/regência;
- categoria de entidades;
- campo de atuação;
- modelo doutrinário da escola;
- combinação desses critérios.
Ver Linha.
3. Falange
Falange costuma indicar agrupamento mais específico dentro de uma organização espiritual, mas essa relação não é universalmente padronizada.
Ver Falange.
4. Falangeiro
Falangeiro pode designar entidade integrante de determinada falange.
O termo não prova sozinho que exista uma cadeia hierárquica objetiva com estrutura idêntica à militar.
5. Nomes coletivos
Nomes como “Caboclo X”, “Exu Y” ou “Preto-Velho Z” podem, em determinadas interpretações, funcionar como nomes de trabalho ou referências a falanges, e não necessariamente como identificação civil de uma única personalidade desencarnada.
Isso varia por escola e precisa de fonte.
6. As Sete Linhas
A ideia das Sete Linhas da Umbanda é historicamente importante, mas diferentes autores preencheram essas sete linhas de maneiras diferentes.
Portanto:
“Sete Linhas” é uma família de modelos, não uma tabela universal única.
Uma etapa posterior comparará sistemas históricos e contemporâneos lado a lado.
7. Linhas de Orixá
Algumas Umbandas falam em Linha de Oxalá, Ogum, Oxóssi, Xangô etc. A quantidade, composição e relação entre essas linhas variam.
Regência não deve ser entendida automaticamente como “Orixá comandando espíritos” de forma administrativa.
8. Linhas de entidades
Também se fala em linhas/categorias como:
- Caboclos;
- Pretos-Velhos;
- Crianças;
- Boiadeiros;
- Baianos;
- Marinheiros;
- Malandros;
- Ciganos;
- Exus;
- Pombagiras;
- Linha do Oriente.
Dependendo do sistema, algumas dessas categorias podem ser chamadas linhas, povos, falanges ou sublinhas.
9. Caboclos
Caboclos podem ser organizados por nomes de falange, relações com Orixás, campos simbólicos ou fundamentos da casa.
Não existe uma tabela única Caboclo → Orixá válida para toda Umbanda.
10. Pretos-Velhos
O mesmo vale para Pretos-Velhos. Nomes como Pai, Vovô/Vovó, Tia/Tio e referências regionais ou religiosas podem participar da construção de nomes de trabalho e falanges.
11. Exus e Pombagiras
Exus e Pombagiras exigem atenção especial porque modelos de esquerda, guardiões, povos, reinos e falanges variam fortemente.
Não serão importadas tabelas de Quimbanda para a Umbanda sem identificar a tradição.
12. Linha do Oriente
Linha do Oriente é exemplo particularmente útil para observar sistemas que combinam categorias espirituais, imaginários culturais, Espiritismo, esoterismo e formulações próprias de determinadas Umbandas.
13. Linha × Orixá × entidade
flowchart LR O[Orixá] L[Linha] F[Falange] E[Entidade] O -. regência em alguns modelos .-> L L -. pode conter .-> F F -. pode agrupar .-> E O -. relação pode variar .-> E
Warning
Este diagrama representa um modelo recorrente possível, não a estrutura universal da Umbanda.
14. Critérios para registrar uma falange
Ao criar uma nota de falange, registrar quando possível:
- nome e variantes;
- escola/terreiro/autor que utiliza a classificação;
- categoria espiritual relacionada;
- Orixá ou linha associada, quando a fonte estabelecer;
- função/campo de trabalho atribuído;
- entidades/nomenclaturas relacionadas;
- símbolos ou elementos rituais;
- divergências;
- fontes.
15. O que evitar
Evitar transformar listas de internet em organogramas religiosos; deduzir falange pelo nome da entidade; atribuir Orixá automaticamente; tratar “chefe de falange” como fato universal; ou misturar sistemas de autores diferentes numa única árvore.
16. Relações
17. Próxima camada de pesquisa
- História das Sete Linhas.
- Modelos de Leal de Souza e outros autores históricos.
- Modelos posteriores e contemporâneos.
- Comparação entre linha, povo, falange, legião e corrente.
- Modelos específicos do terreiro do estudante, quando voluntariamente documentados.